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sábado, 3 de março de 2012

AGRICULTURA IRRIGADA: INCENTIVAR PARA PRODUZIR ALIMENTOS COM SEGURANÇA

 A UNESP Ilha Solteira na campanha pela uso sustentável e manejo adequado da água.

O Brasil precisa produzir mais alimentos com segurança, em quantidade e qualidade. Devemos incentivar e apoiar o uso da Agricultura Irrigada, como sendo uma técnica sustentável e rentável. A solução é investir nos diversos tipos de Sistemas de Irrigação nas pequenas, médias e grandes propriedades agrícolas, para que haja a produção de grãos, frutas, hortaliças, olerícolas, tubérculos, etc., garantindo emprego, renda e segurança alimentar ao produtor, evitando principalmente o êxodo rural. 

A irrigação localizada é o sistema em que a água é aplicada diretamente na região radicular em pequenas intensidades (baixa vazão) e alta frequência (turno de rega pequeno), mantendo esse solo próximo à capacidade de campo. Os dois métodos mais importantes de irrigação localizada são o Gotejamento e a Microaspersão. Dentre as diversas vantagens temos:

  • Possibilita controle rigoroso da quantidade de água fornecida às plantas;  Economia de água e energia;
  • São usualmente semi-automatizados ou automatizados, necessitando uma menor mão-de-obra para o manejo do sistema;
  • Permitem melhor controle de pragas, doenças e ervas daninhas, resultando no menor uso de agrotóxicos e em maior qualidade nos alimentos;
  • Permite a fertirrigação (aplicação de fertilizantes essenciais às plantas via água de irrigação);
  • Otimiza o uso de fertilizante;
  • Possibilita o uso de água salina;
  • Possibilita o cultivo em áreas com afloramentos rochosos e/ou com declividades acentuadas;
  • Excelente uniformidade de aplicação de água, etc.
 A água que muitos utilizam e precisam para diversos fins.

O uso racional da água, de forma sustentável pelos agricultores, já é uma prática multiplicadora no mundo, e está aumentando cada vez mais, principalmente por quer a irrigação destina-se a ajudar na preservação do meio ambiente e não a ser uma vilã (como muitos comentam). Nossos produtores devem ter a consciência de que a sustentabilidade também vem da irrigação.

Uma das técnicas é armazenar a água na época das chuvas e ser usada para irrigação nos períodos de seca. É conscientizar os produtores brasileiros sobre o uso da água das chuvas, armazenadas em barragens, açudes e represas. Mudar o perfil do brasileiro a partir da irrigação, pois o Brasil têm bastantes terras úmidas e férteis que favorecem o cultivo de diversos produtos irrigados. Devemos incentivar e praticar o aproveitamento dos recursos hídricos para aumentar a produtividade e lucratividade, com a preservação do meio ambiente.

Com o uso da Agricultura Irrigada, o produtor pode se preparar melhor para enfrentar os fenômenos climáticos que vêm afetando o setor agropecuário, não apenas no semiárido, mas em outras regiões do país, onde a irrigação é necessária. Como complemento à prática, também deve ser incluída a drenagem agrícola nos projetos de irrigação, devido à importância no controle do excesso de água e na redução do processo de salinização das terras sob irrigação.
 
A planta agradece a água recebida gota a gota.

A Agricultura Irrigada é uma técnica importante para minimizar os riscos da agricultura, bem como os impactos ambientais. Além de ajudar a alimentar milhares de pessoas, gerar riquezas e divisas para nosso país, a irrigação colabora ainda de forma extremamente relevante para a melhoria de renda e a fixação das pessoas no campo, principalmente, em regiões de clima semiárido, como o caso da região Nordeste no Brasil.

Nossos representantes políticos devem priorizar o fomento à técnica da Agricultura Irrigada, como sendo uma solução para a produção e segurança alimentar. A sociedade agradece.
Marcus Damião de Lacerda
Engº Agrônomo – UFPB/Areia-PB
M.Sc. em Engª Agrícola (Irrigação e Drenagem) – UFCG/Campina Grande-PB
Doutorando em Agronomia (Sistemas de Produção) – UNESP/Ilha Solteira-SP
Extensionista Rural I - EMATER-PA

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A FUNÇÃO SOCIAL DA IRRIGAÇÃO E A IMPORTÂNCIA DA ATER

A agricultura irrigada tem um papel relevante na sociedade brasileira, simplesmente uma função social, pois existem milhares de hectares irrigados e muitos irrigantes em todo Brasil que dependem desse tipo de atividade para produzir alimentos e garantir o sustento familiar, com expressiva atuação dos irrigantes familiares na produção de hortaliças e frutíferas.

O produtor precisa produzir alimentos em quantidade e em qualidade, além de ter a segurança na produção e na comercialização. Para isso, inicialmente, precisamos planejar, e acima de tudo é necessário o uso da irrigação como o alicerce, a ferramenta ou o tripé desse sistema de produção. O Brasil apresenta um imenso potencial em termos edafoclimáticos (recursos hídricos), assim podemos alavancar ainda mais a produção com a agricultura irrigada, desde que seja feita respeitando o meio ambiente, do ponto de vista da sua preservação, o uso e manejo adequado dos sistemas, tornando-os sustentável, viável e econômico, incrementando um volume maior de produtos e subprodutos gerados por essa atividade (oriundas da agricultura familiar), atendendo e abastecendo os nossos mais de 190,7 milhões de habitantes brasileiros.
O pequeno irrigante (quando falo pequeno, refiro-me à agricultura familiar), apresenta uma série de características. Como tem tempo disponível, cuida e zela mais dos seus equipamentos de irrigação, de acordo com a diversificação das culturas que ele adota na propriedade. É interessante observar que mesmo os equipamentos mais simples alcançam uma durabilidade muito grande na mão desse tipo de irrigante, pelo fato de ele ser o gestor de todo o processo de produção e comercialização.

A tecnologia de uso dos equipamentos de irrigação pelo agricultor familiar é rapidamente apropriada e absorvida por ele, desde que seja feita uma orientação correta e transmitida pela Assistência Técnica e Extensão Rural, as EMATER’s da vida. Daí a importância da ATER neste contexto, como incentivadora, impulsionadora e conscientizadora dos repasses de informações perante os agricultores e/ou produtores atrelados a AGRICULTURA FAMILIAR.

Entendemos e fica bem claro que o principal objetivo dos serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) é melhorar a renda e a qualidade de vida das famílias rurais, por meio do aperfeiçoamento dos sistemas de produção, de mecanismo de acesso a recursos, serviços e renda, de forma sustentável.
As empresas e órgão de assistência técnica devem investir em treinamentos em relação à AGRICULTURA FAMILIAR IRRIGADA, implantação de pequenos pomares, hortas, etc., voltados na ênfase da AGRICULTURA IRRIGADA, onde devem-se inserir os conceitos práticos de irrigação no trabalho do produtor familiar. É essencial para o agricultor familiar ter acesso à informação e lidar com novos conceitos no uso da água, entender o papel da água para a sua produção. Levar para ele outros conceitos básicos como vazão, qualidade de água, transpiração + evaporação (EVAPOTRANSPIRAÇÃO), inserindo isso no seu dia-a-dia, até chegar aos equipamentos. Isso trará benefícios e resultados, fazendo com que o produtor entre no processo de produção com irrigação.

A pequena irrigação é economicamente viável em termos de agricultura familiar. Muitos trabalhos de pesquisa e extensão rural tem mostrado isso, seja validação tecnológica ou apropriação de tecnologia, mostram dados, e demonstram que vale a pena o uso da irrigação para o pequeno produtor (relacionado a agricultura familiar). No sistema de aspersão convencional por malha (irrigação por tubos enterrados), por exemplo, que não é automatizado, o produtor intensifica o uso da mão-de-obra, reduz os investimentos na aquisição de equipamentos, facilita a operação do sistema de irrigação e pode ser utilizado na agricultura familiar.
Nesse tipo de irrigação, por malha, a tecnologia do sistema é possível de ser apropriada pelo produtor comum, sem nenhum problema. Traz vantagens comparativas, porque o sistema tem um longo período de funcionamento (muitas horas por dia) e para quem está dentro da propriedade, ao lado da pastagem, é muito simples operá-lo. Numa determinada época do ano, quando se exige mais irrigação, o sistema funciona até meia-noite, desligando-se automaticamente a bomba. Às 6 horas, a bomba é novamente ligada, quando o produtor vai tirar o leite.

No que diz respeito aos sistemas de irrigação, escolha, etc., dependerá de vários fatores para uso, tipo de cultura, solo, etc. Mas que a IRRIGAÇÃO LOCALIZADA (microaspersão e gotejamento) é sem sombra de dúvida a mais vantajosa em termos de economicidade, praticidade, uso da fertirrigação e aproveitamento da água pelo sistema radicular das plantas.
A irrigação sempre foi colocada como uma tecnologia cara, difícil de ser atingida, só para quem tem muito dinheiro. Mas, na verdade, os custos caíram bastante. No Brasil existem linhas de financiamento que, além do PRONAF, atendem o irrigante local. O governo federal precisa tirá muita coisa do papel. Fala que tem dinheiro sobrando nos bancos e que não é problema ou entrave para financiar a AGRICULTURA FAMILIAR IRRIGADA, mas que na hora de liberá o financiamento, o agricultor é penalizado por burocracias.

A alternativar é incentivar a elaboração de projetos viáveis voltados para AGRICULTURA IRRIGADA para serem entregues aos agentes financeiros para liberação do crédito. Assim decolaria a atividade. Mas, não acontece isso na prática em muitos estados brasileiros.

Temos que perseguir as mudanças nos cenários. O uso da irrigação pelo pequeno produtor vale a pena. Ele deve desempenhar inúmeros papéis, ser o guardião dos recursos naturais e garantidor da segurança alimentar, e cada vez mais, em direção da segurança energética, sem que o risco recaia somente em seus ombros.